Síntese: 17 março / 07 abril

Difundindo as vozes...

Olá pessoas do Mato!

Estamos focando a música sob diferentes ângulos e em diversas dimensões e este seria um pequeno resumo acrescido de interpretações e conclusões da coordenação do observatório.

Então…

As discussões sobre hibridismo trouxeram importantes contribuições no entendimento dos períodos, cenários e cenas artísticas que vieram se formando e se transformando ao longo do tempo. O que resultou como híbrido foi historicamente sendo categorizado em estéticas e poéticas próprias aos períodos, porém, no interior do fazer artístico o dinamismo não deixou de existir, portanto a fixação é uma visada, uma fotografia que condensa em sua imagem uma sucessão de acontecimentos dentro de um mesmo tempo cronológico.

Com o mercantilismo a globalização cria uma espécie de circulação da música européia que, dadas as circunstâncias envolvendo escravismo e colonização, torna a música praticada na Europa a arte par excellence, portanto o modelo a ser seguido em todos os aspectos (pedagógico, estético, formal, instrumental,…).

Os reflexos da “instalação” de músicos e música pelas colônias instaura novas formas a partir de um novo hibridismo, ou seja, pelo ingresso de outros saberes e fazeres musicais inseridos nessa música (primeiro de maneira tímida) e, com o passar do tempo, atingindo as camadas populares (depois de maneira mais acentuada) começa por criar outros gêneros musicais a partir da apropriação pelas populações locais dos elementos musicais de origens e referências tão diferentes.

No caso do Brasil ensejam a criação do samba, do choro, maxixe, chulas diversas, cocos, repentes e improvisos em diferentes regiões. No caso de Mato Grosso, siriri, cururu, rasqueado, Dança do Congo, Congada, São Gonçalo, Boi à Serra e Mineiro-pau, apenas para ficar nos exemplos mais conhecidos.

No entanto, a sustentabilidade desses fazeres se dá por diversas relações que não se restringem ao fazer musical puro e simples, mas como inserção social de seus sujeitos e dessa música, aliás numa relação dialética e dialógica, ou seja, criando e sendo criados: a música e os músicos no seio de relações sociais muito próximas à família, ao grupo social, à comunidade e ao cotidiano do ponto de vista da cultura e também, a exemplo do rasqueado principalmente, da natureza.

Assim, percebemos a necessidade de que o músico tenha mais do que um des-envolvimento musical – enquanto sujeito dotado de um talento e de uma sensibilidade particulares ou mesmo do ponto de vista técnico -, é preciso que sua atuação penetre âmbitos diferenciados e que suas ações tenham um caráter mais político tanto como afirmação de uma identidade artística quanto como reafirmação de territórios artísticos. Esse envolvimento (apenas para acentuar e fechar o contraponto ao des-envolvimento) deveria focar outros âmbitos da vida social ao invés de criar uma mônada centrada na estética e na poética, fortalecendo os cenários e cenas locais, mais do que a condição individual.

Nesse sentido sua identidade teria raízes locais e nela circunscrita não seguiria em busca de uma identidade global, ainda que sua arte pudesse ampliar seus horizontes criativos, ou seja, não seriam os ditames da indústria cultural os parâmetros ou a bússola que determinariam a direção a seguir.

Ao assumir as rédeas de sua carreira musical alguns horizontes poderiam ir se delineando com prognósticos e possibilidades diferenciadas e não apenas circunstanciada e vinculada ao sucesso que a indústria cultural oferece, mas a partir de uma identidade e de um compromisso ético circular sua arte comprometida com valores outros e multireferenciados ao invés da unidimensionalidade.

Se tal possibilidade se realiza no terreno profissional e com esse nível de protagonismo a música alcança sua dimensão artística e se torna um fenômeno extraordinário, não apenas como uma fonte de entretenimento barata e banal, mas como uma celebração do espírito, como afirmação identitária e, portanto, com um componente fortemente político.

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