Olá pessoas do mato!
Dessa vez a discussão focou Produção Musical e, dada a amplitude do tema focamos num fio condutor da discussão que, embora abra novos e outros campos, reduz ou limita o campo de atuação do produtor e, assim, insere a Produção Musical num campo complexo ao invés de uma opção por um “passo-a-passo” que pode ser adquirido numa oficina ao invés de um debate em observatório.
Nesse sentido uma produção regular e em quantidade dá outra noção acerca da discussão na medida entende produção do ponto de vista da carreira, ou seja, numa perspectiva de longo prazo. Inclusive num processo de aprimoramento da identidade, portanto a criação passa a ser um componente que influi diretamente no processo, mas a dificuldade começa quando não há foco!
Como dito no início, outras questões adquirem importância (e não a primazia) a partir do horizonte da carreira, portanto cabe perguntar: onde estão as facetas e interfaces da produção? Quais são esses produtores? O que é esse produto? Como produzir? Quais são as etapas do ponto de vista didático? Se a perspectiva é de longo prazo e se é preciso produzir regularmente, como se pode produzir tanto em quantidade e qualidade?
Entre as experiências aventadas estaria a criação de parcerias, variação de operacionalização dos fazeres, mas independente da forma de atuação, da escolha ideológica e metodológica o planejamento é imprescindível, ainda que requeira recursos para se transformar ou se materializar em seu objetivo fim, seja a mídia, seja a obtenção de visibilidade ou circulação através da mídia ou mídias.
Em última análise e invertendo os valores da indústria cultural concluímos que é a CARREIRA que determina a forma de atuação e por onde irá esta produção. Todavia isso requer um direcionamento e escolhas de longo, médio e curto prazo. A perspectiva de área de atuação, mas também os referenciais interpessoais se e quando essas referências têm uma postura ética e moral sustentada por uma coerência, um posicionamento político que se traduz num comportamento. Contudo é preciso colocar em perspectiva a forma como se constrói uma carreira, gradualmente, criar uma rede de relações (interpessoais, relacionais) que se traduz profissionalmente.
A construção da carreira se dá não apenas do ponto de vista técnico, mas também como “crença” numa identidade, numa atuação profissional que alimenta esta carreira dando-lhe sustentabilidade e, assim, há uma visão estratégica num nível, mas que também é tática em outro. Isso coloca a carreira numa perspectiva política na maneira como se movimenta e se mobiliza o músico para que possa alcançar essa sustentabilidade musical num campo autoral.
Obviamente que esta opção política nada tem a ver com partidos ou orientação ideológica num campo de Estado ou no nível de governos, mas é ideológica como um posicionamento no mundo como identidade e consoante à proposta musical autoral.
