De acordo com os últimos depoimentos na lista do Fórum Permanente de Música há diversos problemas em relação ao ensino de música, entre eles: falta de espaço adequado e a resistência por parte dos gestores, em diferentes instâncias, na manutenção do ensino de artes dentro dos parâmetros educativos da polivalência.
Há um problema em relação aos estudantes de música pelo fato de não terem a formação mínima necessária para ingressar e continuar num curso de música em nível superior o que afeta o nível dos formandos, visto que o nivelamento dos conteúdos é realizado por baixo, dada a deficiência de formação apontada anteriormente
Todavia, e concomitante a essa problemática, existe o pensamento de que o conhecimento deveria estar sendo trabalhado em rede, devido à quantidade de informações que acontece numa velocidade maior do que a capacidade de absorção e até à forma com que estas informações chegam ao público ou mesmo aos profissionais das diferentes áreas seja do ensino e em áreas técnicas.
Há também a percepção de que os problemas educacionais de cunho político estruturante, tangente à legislação, mas também ao entendimento da implantação de políticas públicas para além, inclusive, das áreas que detém a hegemonia e a primazia do ensino. Estes problemas, que deveriam ser discutidos política e pedagogicamente, estão sendo tratados como questões educativas sem a noção de que as interfaces educativas pertencem ao cotidiano da escola e, portanto, estão mais próximas dos sujeitos e de suas atuações.
Assim, tanto a questão educacional de orientação vertical, quanto a questão educativa de caráter horizontal carecem de uma discussão mais capilarizada num campo teórico. Mas quais professores dominam um campo teórico?
A falta de uma identidade epistemológica se agrava na medida em que o estudante se dá conta de que não consegue ensinar música, não sabe o que fazer com a quantidade de informações que recebem durante o tempo de permanência no curso.
Além dos problemas em relação à pedagogia musical há a necessidade em debater o envolvimento político, assumir uma postura proativa que desaloje o indivíduo da confortável situação de vítima para tornar-se sujeito atuante dentro do contexto do qual faz parte, que faça mover a roda do processo ao invés de ser a própria roda.
A produção musical está em processo, mas o desejo imediatista vincula esta produção à crença de que seja alavancada de maneira circunstanciada.
As mudanças de fato devem acontecer a partir da implementação da Escola Estadual de Música juntamente com o controle social, articulação política e mobilização dos sujeitos interessados e possivelmente envolvidos com a temática da pedagogia musical, entendendo que o ensino de música deve ir além do caráter técnico instrumental inerente às questões estéticas e poéticas atinentes ao campo musical.
Um tal envolvimento requer dos atores a compreensão de que há uma diferença fundamental entre professores, educadores e pedagogos musicais, sem esta noção a atuação fica comprometida e a busca de soluções ora cai numa teoria sem relação com a realidade, ora numa prática vazia sem reflexão e arejamento. Todavia e de maneira cada vez mais urgente é preciso que os profissionais do ensino se envolvam tanto com as questões educativas quanto com os temas educacionais se querem que haja mudanças na escola do ponto de vista do espaço, do currículo e da gestão.