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ENCONTRO 03 DE MARÇO

No encontro ocorrido no dia 03 de Março, o debate foi intenso e provocativo como era a proposta inicial do evento. Tivemos a presença de artistas, produtores culturais, público,professores, estudantes de música, jornalistas entre outros,segue abaixo uma pequena síntese do encontro.

Nesta primeira etapa e colóquio inicial e iniciante de nosso Observatório Música do Mato, tivemos as reflexões de diversos colegas e amigos musicais sendo provocados e provocando nossa convidada Maria Thereza Azevedo.

Enfim, ser ou não ser? Já que somos muitas coisas que passam pelo ser e pelo querer ser e isso não poderia ser reduzido meramente a uma única condição ou aspecto, ou seja, a dimensão identitária passa por uma diversidade de facetas, faces e interfaces que podem nos levar a ser e querer ser muitas coisas.

Nesse sentido as especializações e os fins confinam nossa identidade e o conhecimento nas “gavetas, compartimentos” criados na modernidade e que a arte tem denunciado e, até certo ponto, profetizado. Sim, porque há algo de profético na arte e no artista, na medida em que prenuncia e, na publicização, anuncia o novo. Aqui ela rompe a compartimentização e causando rupturas nas noções e nexos, rompe também com a noção de verdade e introduzindo verdades, no plural.

O caminho através do qual e com o qual a arte cria essas fraturas dá-se por meio de experimentos e experiências provocativas que tangem uma infinidade de relações, principalmente as relações causais, lineares. Portanto a forma como se pensa a arte e a forma como a arte vai mudar o pensamento e descontruir as narrativas enquanto narrações de um nexo têm na arte moderna o início do desmonte desse nexo e, por extensão ou consequentemente, a geração de fragmentos e multiplicidade. Esta nova arte não tem que “ter a ver”, já que seu sentido é posterior denota uma criação aberta e a abertura dos espaços físicos e ideológicos. A abertura do espaço abre espaço para a intervenção, a arte de rua e a utilização de materiais inusitados na provocação de sentidos ao invés de um sentido que provoque: na coreografia a fratura / quebra do movimento clássico mercê da descontinuidade ou quebra da linearidade.

Assim, movimentos dialéticos e dialógicos nas ações provocativas e provocadas sugerem uma outra noção: a inter-atividade gerados por elementos interativos, heterogêneos e o hibridismo com e na mistura de coisas que, a princípio, não se misturariam.

O exemplo de Almodòvar sugere que é na utilização de diversos elementos (poéticas e estéticas) que consiste sua genialidade numa espécie de releitura de Lavoisier “Nada se cria, tudo se aglutina” pelo fenômeno da inovação que se utiliza da saturação, própria ao movimento criador / criativo, daquilo que já existia e, então, na música teríamos períodos de fusão e o choro, na atualidade, é um exemplo disso.

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